POR PAULO ALEXANDRE LOUÇÃO
En la primera mitad del siglo xv, sucede en Portugal un fenómeno de gran envergadura en la historia de las ciencias o, si lo preferimos, en el origen de la ciencia moderna: el infante don Henrique le pide a sus navegantes que le traigan datos muy precisos de las nuevas tierras que vayan encontrando, es decir, se da inicio a una clara actitud de índole científica basada en la experiencia directa, positiva, para un posterior análisis por los letrados en tierra. Tras la conquista de Ceuta en 1415, se empieza a aplicar la ciencia experimental en el proceso del descubrimiento geográfico, antropológico y del arte de la navegación. Esto queda claro en la Crónica de Guinea redactada por el cronista Gomes Eanes de Zurara (1410-1474), cuando divulga los motivos por los cuales «incitaron al señor Infante a que buscara las tierras de Guinea»:

E porque o dito senhor [Infante D. Henrique] quis disto saber a verdade, parecendo-lhe que se ele ou algum outro senhor se não trabalhasse de o saber, nenhuns mareantes nem mercadores nunca disso intrometeriam, porque claro está que nunca nenhuns daquestes se trabalham de navegar senão para donde conhecidamente esperam proveito; e vendo outrossim como nenhum outro príncipe se trabalhava disto, mandou ele contra aquelas partes seus navios, por haver de tudo manifesta certidão, movendo-se a isso por serviço de Deus e del-Rei D. Eduarte seu senhor e irmão, que áquele tempo reinava. E esta é que foi a primeira razão de seu movimento.[1]

 

Esta actitud es claramente innovadora, rompe con la escolástica medieval, es decir que, en términos geográficos, la experiencia es más importante que las aseveraciones de los doctores de la Iglesia, como es el caso del mismísimo Agustín de Hipona. Más tarde, en 1506, en Esmeraldo de Situ Orbis, Duarte Pacheco Pereira asevera: «[…] a experiência, que é a madre das cousas, nos desengana e de toda a dúvida nos tira; […]».[2]

De acuerdo con el espíritu del Renacimiento. Renacimiento del mundo clásico, de los saberes grecolatinos, de todo ese mundo que en gran medida había sido ocultado durante un milenio.

En esta visión innovadora de carácter científico se rechazan los temores y las fantasías medievales. Así, cuando en 1433, Gil Eanes es mandatado para pasar más allá del cabo Bojador, «o qual seguindo a viagem de outros, tocado daquele mesmo temor, não chegou mais do que ás ilhas de Canária»,[3] luego, el infante don Henrique, el año siguiente, insiste en la misión y afirma con mucha firmeza:

Vós não podeis —disse o Infante— achar tamanho perigo que a esperança do galardão não seja muito maior. E em verdade eu me maravilho que imaginação foi aquesta que todos os filhares, de uma cousa de tão pequena certidão, que se ainda estas cousas que se dizem tivessem alguma autoridade, por pouca que fosse, não vos daria tamanha culpa. Mas quereis-me dizer que por opinião de quatro mareantes, os quaes, como são tirados da carreira da Flandres ou de alguns portos para que comummente navegam, não sabem mais ter agulha nem carta para marear. Porém vós ide todavia e não temaes sua opinião, fazendo vossa viagem, que, com a graça de Deus, não podereis dela trazer senão honra e proveito.[4]

De este modo, en 1434, Gil Eanes lidera la expedición marítima que dobló el cabo Bojador, un hito en los descubrimientos europeos iniciados por los portugueses. En este contexto se comprende el carácter tajante de la reflexión de Joaquim de Carvalho:

Tal vez no logremos nunca desvelar el misterio que envuelve la génesis y los objetivos de los primeros viajes «enriqueños», pero es evidente que el infante no hubiera aparejado las carabelas ni encontrado capitanes ni tripulación, si el arrojo y la valentía no hubiesen sido iluminados por un rayo persuasivo de razón.

Caminar a ciegas y acertar, guiado apenas por el instinto vital, es una cualidad del animal y no de seres de quienes despuntó la razón, dicho con otras palabras, la duda acompañada por el deseo de alcanzar la certidumbre a través de la solidez de los fundamentos y de la paz de la conciencia por medio del acierto premeditado de las acciones. Por ello, el infante don Henrique no tuvo que convencerse a sí mismo, ni convencer a capitanes y tripulaciones, de que no navegarían rumbo al suicidio, porque aquello que decían del ancho mar e de la finitud de la tierra quizás no fuese cierto y algunos motivos efectivamente existían para creer que la verdad se podría alcanzar sin el riesgo fatal que conllevaban las embarcaciones.

Cuando advertimos la preparación minuciosa de la expedición a Ceuta (1415), desde la recogida de información a la ponderación de los pros y de los contras en consejos de Estado, y consideramos el hecho de D. Henrique haber participado en esta y de haberse percatado de los preliminares, se hace inconcebible esta toma de iniciativa descubridora, sin poseer la orientación de algunos conocimientos […].[5]

 

Ahora bien, si las fantasías medievales y las propias visiones del mundo de los doctores de la Iglesia son refutadas, el estudio de los clásicos con vista a los emprendimientos científicos del descubrimiento absorbe la figura del infante. Posiblemente aquí podríamos tener alguna respuesta en lo que concierne a la necesidad de «poseer algunos conocimientos» para poder dirigir. Ya que aquí también el despuntar del conocimiento y el estudio de los autores clásicos fueron vitales para la revolución histórica causada por el Renacimiento, en este caso la impresionante apertura geográfica y geopolítica, que cambió completamente la visión que la humanidad tenía de sí misma y del planeta. Al igual que decía Fernando Pessoa, «Y viose la tierra entera de pronto, / surgir, redonda, del azul profundo».[6]

Damião de Góis (1502-1574), gran humanista y amigo de Erasmus, espíritu probo de rigor renacentista, en su Chronica do Principe D. Joam, rey que foy destes reynos, segundo do nome […], en el capítulo vii, «De las cosas que empujaron al Infante D. Henrique a querer descubrir tierras y mares por la costa de África, hasta llegar a la India, y de su convencimiento para mandar hacerlo», publicada en 1567,[7] afirma:

E porque alèm delle ser mui arriscado cavalleyro, era muy dado ao estudo das letras, principalmente da Astrologia, e Cosmografia, para melhor exercitar taõ virtuosas artes, depois que tornou do cerco de Seuta, escolheo sua morada, e residência en huma parte do Reyno do Algarve, no Cabo de S. Vicente, chamado pelos antigos históricos Sacrum Promotorium, que em nosso vulgar portuguez quer dizer Cabo Sagrado, donde se derivou o corrupto nome de Sagres […] e dalli determinou mandar navios ao longo da Costa de Africa com tençaõ de chegar ao fim dos seus pensamentos, que era descobrir destas partes Occidentaes a navegaçaõ para a India, a qual sabia por certo que fora jà em outros tempos achada. E esta certeza que assim alcançou do trabalho de seu estudo, lhe fez acometer tamanho negocio, e naõ por inspiraçoens Divinas, como algumas pessoas dizem, e naõ sey com quanta razaõ o afirmaõ, porque se fora inspiraçaõ Divina, por ventura que sem tantos trabalhos como teve, em sua vida alcançara o Infante o que tanto dezejava, dos quaes trabalhos estas navegações nunca careceraõ, assim em vida do Infante, como depois, atè de todo serem descubertas, pelo que he mais de crer que a certeza deste negocio alcançou o Infante dos verdadeyros Authores, em que continuamente estudava, crendo o que escreviaõ, como cousas escritas por homens, e asssim as cria, e duvidava como se deve fazer a todas as que dos homens, e de seus juízos procedem, nas quaes com a certeza està sempre junta a duvida. Cõ esta tal certeza, o Infante começou a mandar descobrir com nàos armadas à sua custa, porque sabia do que tinha lido, como depois do cerco de Troya, segundo o conta Aristonico, Menelao sahindo pela boa do Estreyto de Gibraltar, navegàra tanto pelo mar Oceano, atè chegar ao Mar Roxo, o qual, segundo alguns Cosmógrafos antigos dizem, contèm em si o mar Arabico, e Persico, com toda a costa que entre elles ambos há, e a que passa diante do Persico atè chegar à India, pelo qual mar Roxo fazendo Menelao seu caminho fora ter à India, e também sabia o Infante que Annone[8] Capitaõ dos Carthaginezes navegàra tanto pela costa de Africa atè chegar quasi debayxo da linha Equinocial, o qual do discurso que deyxou escrito de seu caminho, e sinais do que deu do que vira, se mostra claramente que passou além da Serra, a que agora chamaõ Leoa, e também tinha por certo o que Herodoto, gravíssimo Author, a que Cicero chama pay da Historia, escreveo da navegaçaõ que Neco rey do Egypto mandou fazer por certos Fenices, homens experimentados nas cousas do mar, os quaes partindo do mar Roxo, navegáraõ tanto até chegar ao mar Austral, e dahi viraõ ter até ao Estreyto de Gibraltar, donde tomàraõ seu caminho para o Egypto, ao qual chegàraõ já passados dous anos do tempo que havia que partiraõ do mar Roxo. Alèm deste grande testemunho tinha outro do mesmo Author, de como por mandato delRey Xerxes navegàra Sataspe do mar Mediterraneo, atè pelo Oceano chegar ao Promontorio, ou Cabo de Africa, e que anojado da prolixidade do caminho, e falta de mantimentos se tornara para o Egypto; nem menos ficou ler ao Infante em Estrabo de como no mar da Arabia, estando ahi Cesar, filho de Augusto, se achàraõ pedaços de nàos Hespanholas, que alli com tormenta lançàra o mar à costa, nem o que o mesmo Estrabo, Plinio, Cornelio Nepos, e Pomponio Mela escrevem de Eudoxo acerca destas navegaçoens. Com o Oraculo dos quaes testemunhos, e de otros mais que o Infante teria sabydos por muytas informaçoens, que cada dia tomava de Mouros Alarves, e Azenegues, práticos nas cousas de Africa, determinou mandar descobrir de novo estas navegaçoens, de que a memoria era já entre os homens perdida, das quaes no Capitulo seguinte tratarey cõ toda a brevidade possível.

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